Sugestões da Estação · Portugal

Setembro e Outubro, e Porque Continuamos a Mandar Gente Nessa Altura

A luz muda, a costa esvazia-se e o país volta a ser ele próprio. Dois meses que compensam quem estiver disposto a viajar fora de Julho.

Leitura

2 minutos

Setembro e Outubro, e Porque Continuamos a Mandar Gente Nessa Altura

Pergunte a quem trabalha no turismo em Portugal quando tira as suas próprias férias e vai ouvir sempre a mesma resposta. Fim de setembro. Princípio de outubro. Não chega a ser um segredo, é antes um hábito que ninguém se dá ao trabalho de divulgar.

As razões são práticas antes de serem românticas. A temperatura do mar na costa algarvia atinge o máximo depois de o ar já ter arrefecido, por isso um banho em finais de setembro é mais quente do que um banho em junho, e num mar mais vazio. Lisboa em agosto é uma cidade sob tensão; na última semana de setembro as esplanadas voltam a ser de quem lá vive. No Douro, as vindimas estão a terminar, o que significa que as quintas estão a trabalhar e não a representar, e uma visita sabe de outra maneira quando há mesmo alguma coisa a acontecer no terreiro.

Há também um argumento de luz, e não é só para fotógrafos. O sol baixo de outono faz qualquer coisa de muito particular ao calcário e à cal. Évora, Óbidos e as vilas de encosta do Alentejo estão melhores entre as quatro e as seis da tarde em outubro do que em qualquer momento do verão.

O que muda num programa construído para estes meses. Passam a ser possíveis percursos de carro que evitamos em agosto, quando o interior está quente ao ponto de duas horas ao volante se tornarem uma negociação. Restaurantes que fecham a agenda em época alta aceitam uma mesa para quatro com três dias de antecedência. Guias que passam o verão a cumprir horários fixos têm tempo para construir algo à medida, que é exatamente aquilo que fazemos.

A contrapartida é a variação do tempo. Outubro pode virar, sobretudo a norte. Planeamos com isso em conta em vez de fugir dele, o que normalmente significa guardar uma alternativa de interior para cada tarde e escolher hotéis onde um dia de chuva não é um dia perdido. Os clientes que percebem esta troca antes de viajarem ficam quase sempre satisfeitos por a terem feito.

Se um cliente está a decidir entre a última semana de agosto e a última semana de setembro, a segunda é a melhor viagem. Raramente é uma conversa difícil quando as razões estão em cima da mesa.

Retrato de Duarte Colaço

Escrito por

Duarte Colaço

Nove anos de experiência no setor da hotelaria internacional, incluindo nos Four Seasons Hotels and Resorts, antes de fundar a Endless Luxe Travel. É responsável pela área comercial da empresa e passa grande parte do ano a trabalhar com consultores de viagens, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Cinco Dias em Portugal, Sem Pressa

Portugal

A Carta

Uma pequena carta, uma vez por estação.

Quatro vezes por ano, uma nota discreta da nossa parte — o que o país anda a fazer, para onde estamos a enviar hóspedes e o pequeno punhado de portas que abrimos esta estação.

Subscrever