Guias · Portugal
Cinco Dias em Portugal, Sem Pressa
Como construímos uma primeira viagem curta, e os três erros que fazem um bom itinerário parecer exaustivo.

A maior parte das primeiras viagens a Portugal é curta demais, e a resposta honesta a isso não é andar mais depressa. É cortar. Um programa de cinco dias que cobre Lisboa, Porto, Douro e Algarve não é uma viagem, é um exercício de logística com hotéis pelo meio, e o cliente chega a casa cansado e vagamente desiludido sem perceber porquê.
Esta é a forma que assumimos por defeito quando um cliente tem cinco noites e nunca cá esteve.
Três noites em Lisboa ou à volta de Lisboa, duas no Douro ou no Alentejo, consoante a época e aquilo a que o cliente reage melhor. É isto. Duas bases, uma deslocação interna, nenhum voo de madrugada.
Os três dias na zona de Lisboa não são três dias de Lisboa. Um dia é da cidade, de preferência a começar por um sítio pouco bonito e estrutural, para que o cliente perceba a forma do lugar antes de o fotografar. Um dia vai para Sintra e para a costa, tratado como um dia de paisagem e não como uma lista de monumentos, porque as filas na Pena desfazem toda a boa vontade construída até ali. O terceiro dia é o flexível, e normalmente deixamo-lo em parte por planear.
Quem viaja bem sabe que o melhor dia de uma viagem é muitas vezes aquele que ninguém marcou.
A deslocação para norte ou para leste deve ser de carro com guia-motorista e não de comboio, não porque o comboio seja mau, mas porque as paragens são o ponto. Entre Lisboa e o Douro há um país inteiro por onde a maioria dos itinerários passa a correr.
Depois, os três erros. Primeiro, uma noite só em qualquer sítio. Uma única noite significa chegar tarde, sair cedo e um hotel que o cliente nunca chegou a experimentar. Segundo, marcar manhãs a seguir a jantares longos; em Portugal janta-se tarde, e uma recolha às nove da manhã transforma um prazer num dever. Terceiro, encher o último dia. A última manhã deve ser lenta e perto do aeroporto, e os clientes lembram-se do fim de uma viagem muito mais nitidamente do que do meio.
Uma viagem de cinco dias feita assim deixa boa parte do país por ver. Isso não é uma falha do itinerário. É a razão pela qual o cliente volta.





